domingo, 8 de março de 2015

Beco-Lena d’Água, Terra Prometida, 1986

Era de noite, lembro-me bem
Como se fosse agora e aqui
O frio cortava como navalha
E a malta muda e sem se mexer
Como as pedras da calçada
[...]
Tudo bem alto, ninguém sonhava então
Que ia entrar num beco sem saída

Ele era meu amigo desde os dias de escola
Gostava de brincar comigo aos índios e aos cowboys
E eu sonhava poder vir a ser a sua companheira
Mas o meu herói quis outra heroína
O meu herói quis outra heroína
[...]
A morte veio, e sem dizer nada
Ele partiu com ela na montada
E eu fiquei rouca de gritar por dentro
Mas já de nada serviu o lamento
[...]

(Letra e música de Luís Pedro Fonseca)

 

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

As drogas e o cérebro

MUITO INTERESSANTE!
Uma apresentação de como as drogas interagem com o cérebro.
Clique na imagem e explore as informações que lhe são dadas.

Fonte:http://www.jellinek.nl/english/

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Despenalização do consumo das drogas leves? Cánabis nas farmácias?

http://62.28.148.29/php/pdf/2015/02/13/flash/2015-02-13.php
Reportagem  de sexta feira, 13 de fevereiro de 2015 in Jornal da Madeira.
Abra o link e leia a informação constante nas páginas 5 e 6.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Corta com a Violência: Bullying

Porque, por vezes, a necessidade de se sentir integrado é maior do que a nossa autoestima.
Porque, por vezes, a nossa identidade vale mais do que os rebanhos, temos que marcar a nossa diferença e saber dizer não.
Eis um vídeo para que façamos essa reflexão.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Porquê dizer não?

                                 Porque dizer não?
Para saber mais, consulta aqui.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

ÁLCOOL

Guilhotinas, pelouros e castelos
Resvalam longamente em procissão;
Volteiam-me crepúsculos amarelos,
Mordidos, doentios de roxidão.

Batem asas d'auréola aos meus ouvidos,
Grifam-me sons de côr e de perfumes,
Ferem-me os olhos turbilhões de gumes,
Desce-me a alma, sangram-me os sentidos.

Respiro-me no ar que ao longe vem,
Da luz que me ilumina participo;
Quero reunir-me, e todo me dissipo -
Luto, estrebucho... Em vão! Silvo pra além...

Corro em volta de mim sem me encontrar...
Tudo oscila e se abate como espuma...
Um disco de ouro surge a voltear...
Fecho os meus olhos com pavor da bruma...

Que droga foi a que me inoculei?
Ópio d'inferno em vez de paraíso?...
Que sortilégio a mim próprio lancei?
Como é que em dor genial eu me eterizo?

Nem ópio nem morfina. O que me ardeu,
Foi alcool mais raro e penetrante:
É só de mim que eu ando delirante -
Manhã tão forte que me anoiteceu.



, in 'Dispersão'

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Capicua - "Medo do Medo"

Ouve o que eu te digo,
Vou-te contar um segredo,
É muito lucrativo que o mundo tenha medo,

[...]

O medo paga a farmácia,
Aceita a vigilância,
O medo paga à máfia pela segurança,
O medo teme de tudo por isso paga o seguro,
Por isso constrói o muro e mantém a distância!
Eles têm medo de que não tenhamos medo.



Para ler a letra completa, abre esta página.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

terça-feira, 25 de novembro de 2014

25 NOVEMBRO | DIA INTERNACIONAL PELA ELIMINAÇÃO DA VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES



Não sei se as crianças entendem tudo…
Naquele dia eu não percebi tudo mas soube que alguém fora injusto.

Era criança e estava feliz porque me estava a ser dada a oportunidade de conhecer o alfabeto, de ler, de aprender a fazer contas…Todo um mundo novo e bem mais feliz do que aquele que conhecia.
A escola era o lugar de conforto que não conhecia em casa. A escola ía permitir-me entender tudo.
Porque eu era criança e as crianças não entendem tudo…

Gostava tanto de aprender coisas novas todos os dias. Infelizmente, nesse dia, aprendi também que a covardia humana podia ter um rosto familiar.
Um dia que começara por ser feliz. Feliz até ao momento em que cheguei a casa.

Era o álcool. Um companheiro triste que acompanha os fracos.
Bebia não por diversão mas por vício. Ou doença? Não sei…Sei que eram doentias as desconsiderações, os gritos e os maus tratos. Não havia afeto, um gesto carinhoso, uma palavra de conforto. Mas os gritos viviam connosco todos os dias.
Não, não era por diversão que bebia...
Um dia depois do outro, uma ressaca que se “curava” em mais um copo de vinho…
Aqueles fantasmas perseguiram-no e perseguiram-nos sempre. E ele tentava matá-los em mais um copo de vinho. Não sabia que eles se alimentavam do líquido que lhe enchia o copo e, por isso, continuava a ser um fraco.
A minha mãe tentava ajudá-lo mas ele nunca foi capaz de aceitar a generosidade da sua ajuda. Preferia sempre o copo que esvaziava de manhã à noite na tasca da esquina.
Naquele dia, o álcool voltou a ser o demónio que atormentava a nossa casa…

As crianças não compreendem tudo…
E eu, adulta que sou, ainda não compreendo.
Para quê a brutalidade? Para quê a vassoura? De onde nasceu tanta raiva? Porquê castigar aqueles que ainda nos desculpam e se interessam pela nossa existência? Porquê?
Tantas perguntas sem resposta…
Questionei uma e outra vez a minha mãe sobre o que motivou aquela situação e ela nunca foi capaz de me descrever o que realmente se passara. Porque não tinha que existir um motivo, não tinha que haver uma justificação. A violência era gratuita e injustificada. Mas, acima, de tudo não era merecida.
Era a fraqueza daquele homem que queria dominar, queria ser rei e senhor de um reino de terror.
Porque em mais lado nenhum a sua voz era obedecida e, em casa (a nossa casa, o nosso refúgio e a nossa prisão), o medo fazia-nos obedecer-lhe cegamente. E ele achava-se forte porque não era contrariado.
Era um déspota e por isso necessitava de uma vassoura para mostrar, mais uma vez, o quão fraco era.
Porque os fortes usam outras armas. Os fortes lutam contra os seus fantasmas e crescem sem atropelar os demais. Os fortes sabem ouvir um não sem se irarem. Os fortes sobrevivem à adversidade da vida sem agredirem os outros. Os fortes crescem com os trambolhões e ficam mais sábios com as más experiências.
Mas aquele não era um homem forte. Aquele homem não cresceu e não aprendeu a digerir as frustrações.
E aquela era uma luta desigual. Não era uma luta pela sobrevivência. Não havia justificação. Nunca existe justificação para uma situação semelhante!
Infelizmente era o meu pai aquela pessoa que agia de forma tão irracional e criminosa.
Acabara de chegar a casa. O meu pai mostrara, mais uma vez, a monstruosidade dos actos que era capaz de praticar.

Pediu-me que trouxesse um copo de água. Disse-me que a minha mãe se sentia mal.
Sentia-se mal porque ele lhe fizera muito mal. E ele sabia-o.
Fizera o mal e, mais uma vez, ordenava que outros o reparassem.
Ferira-a mais uma vez. Ainda hoje existem cicatrizes na memória desses momentos infelizes.
Era criança. As crianças não percebem tudo…Mas isso eu percebia a brutalidade e a injustiça.

Ordenou-me que desse água à minha mãe que jazia no chão frio e, como sempre, foi cobardemente matar aquelas memórias afogando-as num copo de vinho. Mais uma vez se rendeu ao copo de vinho.

Fiquei só com a minha mãe.
Na minha fraqueza de criança tentei ajudá-la.
Mas as crianças não percebem tudo…
Ou se calhar percebem… e por isso tentei confortá-la.

Intimamente desejei que soltasse amarras, arribasse a âncora que a prendia àquela infelicidade e nos permitisse sermos felizes.
E, a cada gesto meu, a cada afago, eu tentava mostrar-lhe que merecíamos viver fora daquela prisão, que falar poderia ser uma arma bem mais forte do que aquele pau de vassoura que lhe deixara hematomas nas costas e feridas profundas na memória.

Falar é uma arma.
Denunciar pode ser o início da solução.
Hoje sei-o mais claramente. Naquela altura sabia-o mas as crianças não percebem tudo…
Ou talvez percebam pois sabem, como sei hoje, que : “A família deveria ser um lugar de harmonia não de agonia. 

(texto criado a partir do depoimento de uma formanda de uma turma EFA e que foi encenada e 
apresentada à comunidade educativa a  18 de Fevereiro de 2011.